domingo, 13 de março de 2011
Blog de Marcelo Melo
sexta-feira, 4 de março de 2011
REF 012 - As reações usadas nas refinarias
O processamento do petróleo começa quando ele chega aos tanques de armazenamento da refinaria. Do tanque o petróleo é levado a dessalgadora para retirar a água e o sal nele contido. Atendido os requisitos quanto aos teores permitido de água e sal, o petróleo é levado para uma fornalha onde é aquecido até a temperatura máxima possível sem que ocorra quebra molecular. Parcialmente vaporizado o petróleo é levado a coluna atmosférica onde é fracionado. Para produzir mais frações ainda sem que ocorra quebra molecular, o petróleo é levado para uma fornalha para ser aquecido até o limite e enviado para a coluna de vácuo onde é novamente fracionado. Com isso se consegue um máximo de onze frações para serem processadas para produzir combustíveis e lubrificantes. Isso tudo já foi visto. Até aqui todo o esforço foi envidado no sentido de não quebrar moléculas. Agora esta restrição é retirada e quebrar e reformar moléculas por métodos químicos passa a ser válido.
O objetivo deste tópico é listar os processos químicos, por enquanto, sem entrar em detalhes. Não vamos listar todos, mas apenas os principais.
1. Alquilação – Visa a produção de uma mistura rica em isoctano para a produção de combustíveis de alta octanagem explorando o isobutano, o propileno e o butileno presentes em frações gasosas.
2. Pirolise – Consiste em aquecer a fração acima da temperatura de craqueamento molecular. Antes da invenção do craqueamento catalítico era a principal via para aumentar a produção de combustíveis brancos (gasolina e diesel) a partir de frações pesadas. Hoje é praticada com o objetivo de produção de olefinas sendo realizada usando misturas contendo etano, propano e butano, ou, então, usando a nafta leve. A matéria prima é escolhida de acordo com a demanda das principais olefinas pelo mercado.
3. Reforma catalítica – Consiste em ciclizar as moléculas aumentando o teor de naftenos e aromáticos na fração processada. É realizada com dois objetivos: aumentar a octanagem da fração ou produzir aromáticos visando a indústria petroquímica. No primeiro caso, a reforma é realizada na nafta leve e, no segundo, na nafta pesada.
4. Craqueamento catalítico – Realiza a quebra molecular não apenas por elevação da temperatura, mas, também, pelo uso de um catalisador especifico. A matéria prima explorada são os gasóleos produzidos nas colunas atmosférica e de vácuo.
5. Hidrocraqueamento – O craqueamento é feito juntamente com hidrogênio que evita o coqueamento do catalisador. O seu ponto fraco é a disponibilidade de hidrogênio. O principal produtor de hidrogênio na refinaria é a reforma catalítica mencionada acima que inexiste em muitas refinarias.
6. Hidrotratamento - Consiste em em reduzir os teores de olefinas e aromáticos mediante reação catalisada com o hidrogênio. As olefinas tendem a polimerizar e fedem. Também retira o enxofre e o nitrogênio poluentes atmosféricos na forma de SOx e NOx produzidos na combustão..
7. Coqueamento retardado – Visa mais a produção de coque a partir das frações mais pesadas. Como subproduto resultam combustíveis leves. Porque retardado? Er … depois isso será explicado.
Tem mais, muito mais, mas devagar que o santo é de barro. O resultados destes processos químicos é a disponibilização de de diversas "gasolinas" para a formulação da gasolina comercial. São elas a gasolina alquilada, a gasolina de pirolise, a gasolina de reforma, a gasolina de craqueamento, a gasolina de coqueamento e por ai vai. O mesmo acontece com o diesel e outros combustíveis.
PET 018 - Lodo de perfuração
Na figura a seguir está representado de uma forma extremamente simples um poço sendo perfurado. O triangulo no fundo do poço é a broca que gira em torno do seu eixo fragmentando a rocha. O lodo de perfuração desce pelo eixo até a broca e retorna pela seção anular para a superfície onde é reprocessado e devolvido ao poço. Este lodo é conhecido como lodo de perfuração. Outros nomes são lodo ou fluido de lavagem, fluido de perfuração.
O lodo de perfuração tem várias funções:
- arrastar os fragmentos de rocha para a superfície;
- limpar e esfriar a broca;
- atuar como lubrificante onde houver atrito;
- exercer uma contrapressão de forma a evitar a entrada de fluidos no poço;
- evitar que os fragmentos de rocha se sedimentem no fundo nas paradas das perfurações;
- obturar os orifícios das camadas porosas atravessadas na perfuração;
- ser inerte em relação aos detritos;
- ser bombeável;
- proteger contra a corrosão e
- ser formada por materiais baratos e disponíveis.
O lodo pode ser a base de água ou a base de óleo. A água leva a vantagem de ser mais disponível e refrigerar melhor e a desvantagem de encharcar tudo por onde passa desestabilizando a rocha. Os lodos a base de óleo tem a principal desvantagem de serem poluente.
Para dar propriedades pseudoplásticas ao lodo, uma argila, por exemplo, bentonita, é adicionada à água. A xantana é um polissacarídeo usado para conferir propriedades não newtonianas. Os fluidos pseudoplásticos diminuem a viscosidade com a taxa de deformação. Assim, se comporta como um fluido pouco viscoso na região em torno da broca facilitando a suspensão e arraste dos debris e se comporta como um fluido muito viscoso dificultando a sedimentação fora da região da broca. Para dar mais densidade ao lodo e aumentar a contrapressão um mineral denso, por exemplo, barita, pode ser adicionado. Outras substâncias podem ser adicionadas para adequar as camadas que vão sendo atravessadas.
Quem cuida disso é o engenheiro de lodo, um profissional devidamente qualificado para esta tarefa, que parece, mas não é simples.
A qualidade do lodo de perfuração é acompanhada usando o funil de lodo (marsh funnel). O tempo de escoamento neste funil é interpretado como uma viscosidade. para obter a viscosidade em centipoise basta usar a formula:
onde a densidade é expressa em gramas por militro.O principio de funcionamento é similar a vários viscosímetros. O funil de lodo tem dimensões bem especifica e uma capacidade de 1,5 litro.
Olhando o topo do funil de lodo nota-se uma peneira. O lodo é introduzido no funil através desta peneira que retem as particulas maiores e evita que ocorram entupimentos.
quinta-feira, 3 de março de 2011
TD 022 - Como converter calores específicos isobáricos em isocóricos e vice versa
Como foi dito, é mais fácil determinar o calor específico isobárico do que o isocórico. Dificilmente os dois serão encontrados juntos. Então um precisa ser calculado a partir do outro. A equação básica que liga os dois calores específicos é a equação do primeiro princípio, mas escrita de uma forma diferente:
Como a equação do primeiro princípio, esta equação se chama equação de Mayer. Se o material for um gás ideal, ele obedecerá à equação dos gases ideais, também conhecida como equação de Clapeyron,
Neste caso,
Se o material não for gás ideal então uma equação de estado a equação de estado apropriada deve ser buscada. A escolhida poderá a equação deverá ser uma das equações cúbicas, também conhecidas como equações da família de van der Waals. Dentre estas equações as mais apreciadas são as equações de Redlich-Kwong-Soave e Peng-Robinson. Considerando a própria equação de van der Waals a relação acima fica:
Como tanto R como a são positivos, o calor específico isobárico é sempre maior do que o isocórico. Na situação mais radical as derivadas necessárias devem ser obtidas diretamente de dados experimentais.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
CN 03 - Cálculo do erro de cálculo
O erro de uma medição depende da precisão do instrumento usado sendo de meia unidade na última casa seja o instrumento analógico ou digital. Se outros erros como a má técnica de uso do instrumento devem ser considerados, então o cálculo do erro mais provável por repetição honesta da medição é o caminho das pedras.
Raramente o valor medido é o que interessa. Muitas vezes, os valores medidos são usados para calcular o valor que realmente interessa. Por exemplo, para calcular a densidade o peso e o volume da amostra são medidos e a densidade obtida pela divisão do peso pelo volume. A questão é: conhecendo os erros nas medições qual é o erro cometido no resultado do cálculo?
Sejam três medições com os respectivos erros:
O resultado desejado é obtido pela expressão
O erro do cálculo é dado pela relação
Esta fórmula tem muitas utilidades. A generalização para N medições fica por conta de cada um. Não é uma coisa complicada. A melhor forma de entender é através de um exemplo.
Exemplo – O diâmetro de um circulo foi calculado usando uma trena milimétrica. O valor encontrado foi 0,842m. Neste caso o erro é de 0,0005m, isto é meia unidade na última casa. O cálculo da área é feito usando a fórmula
O valor de pi usado é 3,14 o que implica em que o erro é de 0,005. O erro é dado por:
Inserindo os valores numéricos
Assim
O que é um resultado muito ruim e impreciso. Aumentando o valor de pi para 3,1416 o resultado passa a ser
Aumentando a precisão de pi mais preciso será o calculo da área.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Efeito Barus
Aproveitando o embalo, o efeito Barus é outro efeito que se deve a viscoelasticidade de fluidos. Quando um fluido newtoniano sai de um orifício o filete afina-se. Isso pode ser observado em qualquer torneira disponível. Basta que a torneira seja aberta cuidadosamente para evitar turbilhonamento. Nos fluidos que apresentam tensões normais o filete alarga-se na saída do orifício. Este efeito, que pode ser observado na foto abaixo é conhecido como efeito Barus. Ele também é conhecido como efeito Merrington.
Polímeros fundidos e soluções poliméricas apresentam este efeito que deve ser considerado no dimensionamento de orifícios nas extrusoras.
Efeito Weissenberg
É um efeito e devido ao surgimento de tensões normais. Para observar basta girar um bastão imerso num fluido. Nos fluidos “normais”, que não apresentam tensões normais, a força centrífuga empurra o fluido contra a parede do recipiente cilíndrico. Pode ser qualquer recipiente, mas no cilíndrico fica mais bonito. Como não há tensões normais a superfície do abaúla-se com a concavidade para baixo. O nível mínimo ocorre no eixo e o máximo na parede do copo onde o experimento está sendo realizado.. Isto todo mundo sabe.
Quando tensões normais surgem e conseguem superar a força centrífuga fluido move-se na direção do bastão ascendendo até que o equilíbrio seja alcançado. O efeito pode ser bem dramático como mostra a foto a seguir. O efeito Weissenberg está associado a viscoelasticidade
A foto acima foi produzida no MIT. Para os São Tomés o fluido doméstico que apresenta efeito Weissenberg é o shampoo, mas não espere mais de 1 ou 2 cm. Quanto mais rápido girar o bastão mais acentuado será o efeito.
